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CAPTULO 18 
EMPREGO DO SUBSTANTIVO 
FUNES DO SUBSTANTIVO 
O substantivo figura na frase como NCLEO das seguintes fune a) Sujeito: 
"O vivo sumiu-se." (MACHADO DE Assis) 
h) Objeto direto: 
"Por fim Peri fez um esforo supremo..." (Jos DE ALENCAI 
c) Objeto direto preposicional: 
"Judas abraou a Cristo, mas outros o prenderam..." (VIEIRJ 
d) Objeto indireto: 
"Talvez eu exponha ao leitor, em algum canto deste livro, a m 
nha teoria das edies humanas." (MACHADO DE ASSIS) 
e) Complemento relativo: 
"Minha alma,  Deus! a outros cus aspira..." (ANTERO E 
QUENTAL) 
f) Complemento nominal: 
"So rudes, severos, sedentos de glria..." (GONALVES DIA 
g) Aposto: 
"Matias, cnego honorrio epregador efetivo, estava compon 
um sermo..." (MACHADO DE Assis) 
h) Vocativo: 
"Fuja, fidalgo, que me perco!... Fuja que o mato e me pe 
co!" (EA DE QuEIRs) 
i) Complemento circunstancial: 
"E o meu suplcio durar por meses." (HERCULANO) 
j) Predicativo de oraes nominais: 
A terra  um planeta. 
k) Anexo predicativo do sujeito, em oraes mistas: 
O professor foi nomeado reitor. 
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1) Anexo predicativo do objeto direto, em oraes mistas: 
Os fidalgos sagraram o mancebo cavaleiro. 
m) Agente da voz passiva: 
Napoleo foi derrotado pelos ingleses. 
(...) batido das tribulaes, devorado dos pesares. 
NCLEO DE EXPRESSES ADJETIVAS 
Precedido de preposio, pode o substantivo formar expresses adjetivas, que funcionam como adjunto adnominal: 
anel de ouro (= ureo) 
perfil de dguia (= aquilino) 
amor de me (= materno) 
escritor de talento (= talentoso). 
NCLEO DE EXPRESSES ADVERBIAIS 
Tambm com um substantivo preposicionado se obtm as expresses adverbiais, cujo sentido decorre da relao que a preposio expresse: 
a) Companhia: sair com o irmo. 
b) Concesso: partiu apesar da chuva. 
c) Concomitncia: dormiu durante a cerimnia. 
d) Condio: no ir sem seu irmo. 
e) Limite: ficarei aqui at outubro. 
Posio: estar entre a cruz e a caldeirinha. 
Curioso emprego  o que tem com as preposies desde e em para 
designar os diferentes perodos da vida: 
"(...) no gosta, como rei, que lhe lembrem que estudou pouco 
em prncipe." (REBELO DA SILVA) 
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SUBSTANTIVAO 
Qualquer palavra, expresso ou orao pode ser substantivada: 
"O 'no' que desengana, o 'nunca' que alucina..." (BILAc) 
"Somente em Cruz e Sousa, h subidas to vertiginosas e t amplas. Falta-lhe, porm, a conscincia do universo, a noo para-onde, a certeza do para-qu, to claras 
no entendimen de Augusto dos Anjos..." (Jos OlTicicA) 
"O amai-vos uns aos outros  a maior virtude." (LAUDELII' 
FREIRE) 
LOCATIVOS E PERSONATIVOS 
1) Os nomes prprios locativos que tm forma de plural (Moni Claros, Buenos Aires) exigem o verbo no singular, desde que no 
jam precedidos de artigo: 
Buenos Aires  uma grande capital americana. 
"Montes Claros fica na plancie." (JOO RIBEIRo) 
Se tais nomes so precedidos de artigo, faz-se a concordncia norm 
Os Alpes ficam na Sua. 
Os Estados Unidos declararam guerra ao Japo. 
2) Os nomes prprios personativos vo para o plural quando rep. 
sentam: 
ci) Mais de uma pessoa: 
"Os dois Snecas, os trs Andradas, os dois Plnios, os Ali 
querques e os Cates." (FREIRE) 
"Correias de S..." (CAMILO CASTELO BRANCO) 
b) Uma pessoa de grande fama, tomada assim como um smbo "Devemos isto aos Gonalves Dias, aos Alencares, aos Pen aos Macedos, aos Alvares de Azevedo, aos Agrrios." 
(SL 
ROMERO) 
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c) Uma pessoa de uma classe (metonmia): 
"Por isso, e no por falta de Natura, 
No h tambm Virgflios, nem Homeros; 
Nem haver, se este costume dura, 
Pios Enias, nem Aquiles feros." (CAMES) 
Neste exemplo, os nomes Virg(lios e Homeros esto em lugar de 
'grandes poetas'; Enias e Aquiles so modelos de heris, nas epopias daqueles gnios. Enias , ainda, um exemplo de piedade filial. 
d) As obras de um autor ou artista: 
H, na exposio, dois Goyas, dois Murilos... 
 como se dissssemos: quadros de Goya, de Murilo. 
SUBSTANTIVO EMPREGADO COMO ADJETIVO 
O substantivo "aparece s vezes empregado como adjetivo, e disto nos do exemplo as seguintes expresses: E muito verdade o que lhe estou dizendo; 'palavras-ourios' 
(Herculano, Lendas e narr., II, 295); 'tempo bonana' (F. Mendes Pinto, Peregr., 1, 9 e 38); 'ventos bona/ias' (id. ibid., 15); '... meu desejo T-lo [o cu fluminense] 
sereno assim, todo estrelado, ou todo sol, aberto sobre mim.'" (Alberto de Oliveira, Poesias, 4 srie, 1928, p. 42.)* 
SINGULAR E PLURAL 
1) Costuma-se empregar no singular o substantivo, quando acompanhado de certos pronomes indefinidos de sentido quantitativo (muito, 
quanto), ou em algumas expresses (de p descalo, de brao dado): 
"(...) quanta vez, rodando aos ventos maus, 
O primeiro pego, como a baixis, quebrava!" (OLAVO BILAC) 
* Sousa da Silveira, Lies de portugus, 8 ed., Rio de Janeiro, Livros de Portugal, 1972, p. 138. 
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"'Ora (direis) ouvir estrelas! Certo 
Perdeste o senso!' E eu vos direi, no entanto, Que, para ouvi-las, muita vez desperto 
E abro as janelas, plido de espanto..." (OLAvo BILAc) 
"Dessas rosas muita rosa 
Ter morrido em boto. . ."(MANUEL BANDEIRA) 
Tal concordncia , porm, facultativa. O mesmo Bilac, autor 
versos dos dois primeiros exemplos, escreveu, adiante, no prprio 
ema - 'O caador de esmeraldas': 
"Quantas vezes Ferno, do cabeo de um monte, Via lenta subir do fundo do horizonte 
A clara procisso dessas bandeiras de ouro!" 
2) Falando-se de uma coisa que pertence singularmente a cada de vrios indivduos,  obrigatrio que o substantivo fique no singu 
Eles puseram o chapu na cabea (e no: os chapus nas cabes 
3) Ao contrrio, vai para o plural o substantivo que se refere a tas, horas e pginas de livros. Tal construo tem origem no uso 
numerais cardinais em vez dos ordinais. 
O dizer-se, por exemplo, Lus XV, Pio XI (Lus quinze, Pio por Lus dcimo quinto ou Pio dcimo primeiro) deu margem a 
se estendesse este emprego a outras expresses comuns: 
A ou aos 10 dias de setembro (= no dcimo dia de setemh 
A folhas 17 (= na dcima stima folha). 
A pginas 25 (= na vigsima quinta pgina). 
4) Vai para o plural o substantivo modificado por vrios adjeti que expressam as diversas espcies contidas no gnero geral indic 
pelo substantivo: 
As lnguas portuguesa, espanhola e francesa. 
"Gloriava-se este de mui versado nas lnguas grega, hebra 
sirfaca, caldaica e muitas outras." (MANUEL BERNARDES) 
"O quarto e quinto Afonsos e o terceiro." (CAMES) 
"(...) as autoridades civil e eclesistica..." (CAMILO CAST] 
BRANCO) 
Nota: 
E tambm correto usar o substantivo no singular (precedido de artigo), ante 
primeiro adjetivo, e omitir este substantivo antes dos outros adjetivos, repetind 
contudo, o artigo: 
A lngua portuguesa, a espanhola e a francesa. 
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Desempenhando funo de sujeito, pode a orao de valor substantivo ser, em certos casos, precedida de preposio. 
Exemplos: 
"Por isso sam, e a isso vim; mas em fim 
cumpre-vos de me ajudar a resistir." (GIL VICENTE) 
"- A noite passa. Horas so estas Imprprias de ir buscar outra pousada. Se vos no peja de aceitar a minha, Vinde." (GARRETT) 
"O conde, olhando ento para o topo da mesa, deu de rosto com o licenciado e custou-lhe igualmente a conter-se." (HERCULANO) 
"- Que novos males 
Nos resta de sofrer?" (GONALVES DIAS) 
O reger de preposio o sujeito, quando expresso por orao infinitiva,  expediente que, conquanto contrarie a gramtica ortodoxa, 
vem dos tempos mais antigos do idioma. 
J no Livro de Esopo, o fabulrio portugus medieval descoberto por Leite de Vasconcelos na Biblioteca Palatina de Viena e publicado na Revista Lusitana (vols. VIII 
e IX) separata em 1906 - l-se o seguinte: 
"A mym praz mais de comer trijguo... que galinhas." 
O mesmo fato existe, alis, em francs, espanhol, italiano e romeno. 
SUJEITO PRECEDIDO DE PREPOSIO 
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